Será que é amor ou ilusão?

A Metafísica considera que um dos atributos da alma é o amor incondicional, está claro o quanto ela valoriza esse sentimento.

Por que, então, a reserva?

É que a palavra amor pode significar coisas muito diferentes para aqueles que falam, escrevem e para aqueles que ouvem, lêem.

Num primeiro momento, parece que todo mundo está se entendendo, mas, na verdade, cada um está associando ao seu raciocínio o conceito que tem a respeito do amor, as histórias que viveram, e toda a carga emocional que acompanha as idéias.

Além disso, a palavra amor é largamente banalizada em citações piegas, e é também freqüentemente explorada em manipulações e outros jogos desonestos – fato que justifica a resistência de muitos a ela.

Contudo, sabemos que é na área afetiva que acontecem as nossas experiências mais enriquecedoras, e também as mais dolorosas.

-Então, vamos dar uma olhada naquilo que pensamos sobre o amor focalizando, aqui, o chamado relacionamento afetivo/amoroso. Vamos rever o que sentimos, e pode ser que encontremos modos de diminuir a frustração, a dor, acabando com a necessidade da “anestesia” e aumentando o prazer e a realização em nossas vidas.

-COMO PODE ILUDIR-SE ASSIM?

Imagine que a coisa aconteça num daqueles dias em que a vida parece chata, sem graça… A criatura sozinha, ou mal acompanhada, já ficando cansada de pedir a Deus uma surpresa boa. A insatisfação, o tédio, a contrariedade, a desmotivação. De repente, encontra na caixa postal a mensagem de alguém conhecido, que ela até acha interessante (simulamos aqui a versão em que um homem escreve para uma mulher, a fictícia Joana, mas você poderá adaptá-la de outra forma, se for o caso), e o inesperado e-mail diz mais ou menos assim:

Lindinha!

-Pensei em falar com você ontem, quando nos encontramos, mas você estava com tanta pressa… Na verdade, pensei em falar muito outras vezes, mas acho que sou tímido demais…

-Por isso resolvi escrever…

-Não posso mais disfarçar meus sentimentos…

-Estou completamente apaixonado por você! Loucamente apaixonado!!! (será que você já percebeu?!)

-Encanto-me com você! Linda, inteligente, sensível, sensual… é doce! Perfeita!

-Você é tudo o que sonhei pra mim.

-Quero você. Quero mais do que tudo, ter você.

-Faço qualquer coisa para ter o seu amor… Faço tudo por você…

-Vou cuidar de você, vou realizar todos os seus sonhos, vou fazer você feliz!

-Acredite, eu sei que posso. Só não posso mais viver sem você…
Por favor, Lindinha, diga que também me quer, diga que quer ser minha para sempre. Seremos felizes, eu prometo.

-Fique comigo, amor. Só você pode me dar alegria, só você pode me trazer a paz, só você enche meu coração de luz!!

-Diga que me quer, Lindinha.

-Só assim eu poderei ser feliz.
-Já amo mais a você do que a mim mesmo.

E aí? Será que a “Lindinha” vai balançar? -Será que foi por uma declaração assim que ela andou rezando? Terá encontrado o grande amor da sua vida? Será que ela, finalmente, vai ser feliz?

E nós, aqui? Bem lá no fundinho, será que esperamos por alguma coisa parecida? Desejamos ouvir (ou dizer) coisas semelhantes? É essa a idéia que fazemos do amor?

Se as nossas respostas se condensaram num secreto e sincero SIM, chega a ser normal.

Prestando atenção ao texto do nosso apaixonado, acima, veremos que ele não foi nada rico em originalidade… Com pequenas variações, reproduziu o que encontramos na maioria dos romances, dos filmes, das novelas, das letras de músicas que fazem sucesso atualmente. Mas, será que isso é mesmo amor?

-SERÁ QUE É AMOR OU PAIXÃO?

É comum fazermos uma confusão danada com essas duas palavras. Usamos uma pela outra. É compreensível, e talvez isso aconteça até por uma dificuldade lingüística: quando queremos expressar que estamos amando, dizemos que estamos o quê?… Apaixonados!

Mas não fica tudo do mesmo tamanho, não são apenas palavras – sugerem estados de espírito bem diferentes, situações diferentes – e confundi-las podem significar interpretar mal os sentimentos, nossos e dos outros.

Na paixão, estamos encantados com as supostas qualidades do outro (não raro nem enxergando seus “defeitos”); idealizamos um relacionamento prazeroso, segundo nossos padrões, e alimentamos a ilusão (quase sempre inconscientemente) de que tudo o que é do outro passará a ser nosso, por uma espécie de osmose – sua alegria, seu sucesso, sua beleza, sua descontração, sua juventude, sua prosperidade, sua inteligência, ou seja, lá o que for que gostaríamos de ter também.

Assim, estamos completamente fora do nosso campo de atuação, do nosso centro, da nossa essência, e nos centramos no outro.

É claro! Se não gostamos de nós como somos, se não gostamos da nossa vida como é, podemos ficar fascinados pela idéia de que uma outra pessoa poderá dar jeito nisso tudo, transformando a nossa triste realidade como num passe de mágica. Entretanto, como podemos adivinhar se esse encantamento vai muito longe.

Uma verdade inquestionável é que:

-Não há como responsabilizar o outro pela nossa felicidade, ou nos responsabilizarmos pela felicidade de alguém. Portanto se você se sente infeliz vá em busca do seu próprio crescimento. Assim, descobrirá o quanto é mágico sentir-se uma pessoa completa por sí e poder compartilhar com os outros o que você tem de melhor.

-Lembre-se: Ninguém tem o poder de fazer ninguém feliz, o único poder conferido a nós é compartilhar com o outro.

-Ufaaa…que feliz saber que não temos essa responsabilidade!!!

-Vamos lá….Seja Feliz e Compartilhe essa felicidade com todos.