Será que sua vida afetiva empacou?

Ao pensar na mera possibilidade de nos vermos imobilizados por muitos dias, meses, seja por uma doença, um acidente ou qualquer outro motivo limitante, já dá uma sensação ruim, não é mesmo? Há tantas coisas que ainda queremos fazer, experimentar, descobrir… Ainda há tanto a ser resolvido, melhorado, mudado. Tanto a crescer, a realizar, a expressar, a conquistar, a viver, não é? Só de nos imaginarmos presos a uma cama, ou num cativeiro, que é um exemplo bem atual, já avaliamos o quanto deve ser triste esse sentimento de “não poder”.

Pois é, começamos o nosso assunto nesse tom mais grave, porque sabemos que é bem mais comum nos sensibilizarmos por essas situações que aparentemente vêm “de fora”, e pegam as pessoas desprevenidas. Não estamos muito acostumados a prestar atenção nos fatos que ocorrem dentro de nós e, quando muito, pensamos vez por outra neles, “achamos” alguma coisa a respeito e fim de papo – nem percebemos nada. Sentir, mesmo, nequinha.

Você consideraria a possibilidade de estar mantendo cativa alguma parte sua, algum aspecto do seu “eu” original? “Manter cativa” até parece lírico, não é? Tornemos isso mais pé-no-chão: você acredita que pode haver algum pedaço da sua originalidade (do seu modo original de ser) esquecido a ferros num calabouço, julgado e condenado por conduta não adequada? Ou penando feito criança maltratada, amarrado ao pé da mesa pra não fazer mais artes? Ou, ainda, metido numa camisa-de-força, considerado perigoso, muito louco?

Caramba! Como assim? É claro que não! Será? Que nada… Por que faríamos isso conosco?

Pois fazemos. Num belo dia, damos de cara com um daqueles “acidentes de percurso” que nos machucam profundamente; a dor é forte, quase insuportável. Como não desenvolvemos ainda a capacidade de compreendê-la e de aprender com ela, tomamos as nossas providências na tentativa de afastá-la para sempre e decretamos o “nunca mais”.

Não faz muita diferença se nos prendemos, amarramos, por acreditar que somos perigosos e precisamos de castigo, ou se nos escondemos numa redoma, achando que assim nos protegemos dos outros, que são perigosos; de uma ou de outra forma, estamos imobilizados naquela área da vida: não podemos viver.

Na área afetiva isso acontece bem mais do que imaginamos. Você já brincou de estátua? Então… É como se a brincadeira já tivesse acabado, todo mundo já tivesse ido embora e nós permanecêssemos ali, imóveis, entorpecidos. Passam-se meses, anos (podem passar várias encarnações, se é que você acredita), e não saímos do lugar.

Mas, uma hora, isso começa a chatear. É a bendita vontade da vida plena! Até porque, também, outras áreas da vida começam a emperrar e, ao questionarmos sinceramente nosso coração, descobrimos que há um forte interesse sendo negado. Percebemos que estamos querendo um bom relacionamento afetivo. Tentamos daqui, buscamos dali, e nada! Se aparece alguma coisa, não dura. Não acontece nada! Nos descobrimos empacaaaaaaaaados…

Puxa! Qual será o motivo? Vai ver que é “trabalho” feito. Alguém “nos amarrou”!

Ah, pode apostar nisso! E deve ter sido um trabalho muito bem feito, por sinal. Será que dá pra adivinhar quem é esse “alguém”? Bingo! Fomos nós, pra variar…

Segundo a Metafísica atual, quando alguma coisa começa a incomodar é porque é chegada a hora da mudança. Se já fomos do incômodo à vontade de mudar e nada acontece, é que estamos sabotando a entrada do novo em nossas vidas. E isso devido ao apego, à culpa e ao medo.

Vejamos como tudo se encaixa: aquilo que já conhecemos, ainda que não seja bom como realização pessoal, costuma dar-nos uma falsa idéia de segurança ou proteção – é como se já soubéssemos o quanto de prazer e o quanto de dor podemos experimentar naquela situação ou, em outras palavras, é como se sentíssemos que até ali podemos agüentar, controlar, porque as coisas são repetitivas, familiares; mas, dali pra frente, já não temos nenhuma certeza…

Assim nos apegamos às situações ou às pessoas que fazem parte delas e rejeitamos qualquer novidade que poderia significar riscos, conflitos, reformulações…

Temos medo. Medo da dor, medo de não agüentarmos a dor… Medo de nos descontrolarmos (pela dor ou pelo prazer), medo de nos deixarmos dominar… Medo de que nos façam de bobos, medo do abandono, do desprezo… Medo de nos entregarmos e de “perdermos o chão”, no fim.

Pelo medo do fim, preferimos nem começar… Pelo medo de perder, resolvemos nem ter…

Temos medo daquilo que poderemos fazer conosco, se nos sentirmos culpados novamente.

Vamos dizer que tenhamos nos arriscado, e que as coisas não tenham tido um final feliz. Aí nos culpamos, achando que deveríamos ter sido mais cautelosos, menos confiantes, mais “espertos”, “diferentes”, mais contidos, ou menos isto e mais aquilo… Nos socamos, nos arrasamos energeticamente, até nos sentirmos errados, incompetentes, inadequados, humilhados e ressentidos.

Temos medo, até, de descobrirmos, lá na frente, que não era isso o que queríamos – medo de perder a liberdade, medo do apego do outro.

Fica claro que a base de todo esse sofrimento, incluindo o sofrimento de não viver plenamente aquilo que se quer, está na falta de confiança em nós mesmos, que reflete a falta de confiança na vida.

Minimizamos a nossa capacidade de confiar, baseado naquilo que sentimos e apostamos tudo nos nossos julgamentos. Só que o julgamento é um processo mental que procura o certo e o errado; que condena, que pune, que vinga tudo racionalmente. Não há vez para o sentimento.

Para finalizar esta reflexão, uma última consideração importante: ao querermos julgar, perdemos as referências da aceitação, da tolerância, da confiança, do respeito ao direito e à originalidade (com relação aos outros e a nós mesmos) e acabamos praticando a depreciação e a desvalorização.

Como, para a Metafísica atual, tudo funciona por meio de forças que atraem e repelem por sintonia, onde há julgamento não há a possibilidade de prêmios (aquelas coisas boas que estamos desejando há tanto tempo).

Vale a pena repensar! Eu acredito em você!

Namastê.

Sandra Helen Trovo/Consultora em desenvolvimento pessoal e profissional.